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Verônica da Costa, 31, arte educadora, empreendedora, artista independente e mãe do Théo, 6, pendura flores e ervas para secar no seu quintal de casa na Tijuca, Rio de Janeiro, onde mora com o filho. Verônica usa as ervas para fazer produtos naturais para sua marca, Aromas do Quintal

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""- Mamãe, como faz pra criar uma criança?

- É preciso um óvulo e um espermatozoide, eles se encontram e...

- Não mamãe, eu quero saber como faz pra manter uma criança viva depois que ela nasce. Como que você me cuida pra eu ficar vivo?!"

Não eram nem 10h da manhã, eu estava no banheiro e fui invadida na minha intimidade mais necessária, como todos os dias desde que pari a criança que me chama de 5 em 5 minutos. Esse diálogo aconteceu antes do café da manhã em algum dos muitos dias de pandemia. Sabe quando a gente acorda e fica um tempo aguardando a alma chegar no corpo depois de uma viagem ao mundo dos sonhos? Pois é. A maternidade solo te tira esse tempo, e te lança perguntas complexas, antes mesmo do dejejum."

Verônica, 31, e Théo, 6, ficaram em isolamento durante os primeiros seis meses da pandemia em sua casa na Tijuca, Rio de Janeiro, onde a Verônica também desenvolve seu trabalho com Aromas do Quintal, sua marca de produtos naturais. Como educadora e artista independente envolvida em diversos projetos pela cidade e com o filho que recentemente começou entrar na escola em período integral, a pandemia alterou tudo. Restritos a casa, a busca pela saúde dela e do filho se tornou coletiva quando unida a busca de outras mães solo a procura de espaço e companhia pros filhos, como também apoio e tempo para as próprias ideias e projetos - questões já presentes antes que se intensificaram no isolamento.

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"Durante a pandemia, eu arte educadora, mãe, pisciana, lúdica, tomei aversão ao tempo do brincar. Ando tão cansada que não consigo sentar com leveza e só brincar com a criança que desejei parir. Mas não foi assim durante toda a pandemia. No começo, eu estava entendendo a pandemia como uma oportunidade de reconhecer meu filho. Pela primeira vez ele estava em uma escola em período integral e eu passava mais tempo sem ele do que com ele. Ele foi adquirindo novas manias, comportamentos e eu admirando quase que de longe. Então quando a pandemia começou, foi minha oportunidade de ter tempo com ele. Fomos construindo ao longo dos três primeiros meses uma rotina bem bacana de parceria. Cozinhar juntos, cuidar da casa, das plantas, praticamos yoga, mudamos a alimentação."

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16 setembro 2020

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Verônica e Théo comprando ervas para os produtos naturais que a Verônica produz na feira perto da sua casa na Tijuca, Rio de Janeiro.

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"Ser mãe foi um sonho adubado por anos na minha mente e coração. Sou das águas, pulso vida e ainda quero mais. Honro o fruto gerado, minha cria broto. Mas não é poético "manter uma criança viva" sozinha nessa cidade. A rede que já era pequena, se apequena ainda mais nesse período de "salve-se quem puder". Cozinhar, arrumar, lavar, trabalhar, brincar, respirar. Pouco tempo pra ser eu mesma."

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Das águas
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Verônica na Floresta da Tijuca.

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Verônica embala sabonetes e outros produtos naturais para os kits de auto-cuidado que começou produzir durante o isolamento para sua marca, Aromas do Quintal. 

"A pandemia, o isolamento e esse olhar pra dentro à força, quase um parto as avessas, acionou um botão de reconexão com meus desejos de gestação. Quando grávida eu queria morar coletivamente, no mato, criar com outras famílias, criar crianças, plantas, arte e vida. Vi que meu desejo/instinto, estava me elevando pra esse lugar de segurança, há anos atrás. Não ouvi naquela época e estou ouvindo agora, ouvindo aos berros, no meio da cidade de pedra."

21 outubro 2020

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Em maio, no meio da pandemia e do isolamento, Verônica se juntou a duas outras mães solo, Ingra e Diana, que também são artistas independentes, atrás de uma busca em comum: espaço e companhia para criar os filhos e tempo e apoio para as mães puderem desenvolver suas ideias.

 

Depois de seis meses em isolamento com as crianças elas começaram se encontrar presencialmente para que os filhos pudessem brincar enquanto elas davam forma ao seu projeto coletivo, Solar das Águas e dos Meninos.

Théo brinca com os filhos da Diana e Ingra, Tiê e Teo, no primeiro encontro presencial das mães com os filhos, no parque Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro. 

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"Ao longo desses últimos nove meses de planejamento, como gestação de um parto, a gente começou a entender que a questão não era só as crianças terem quintal mas que era pela nossa saúde mental também, pela nossa criação, por nós em primeira pessoa - entender a importância desse movimento a partir do momento em que as crianças estão saindo da primeira infância e que esse desejo de fazer parte de uma comunidade é prezado."

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Verônica e Théo se encontram com Ingra, Diana e seus filhos, Teo e Tiê, na Tijuca, Rio de Janeiro no final de novembro. As três mães foram se encontrando ao longo dos últimos meses do ano para deixar os filhos brincarem juntos enquanto elas falavam sobre o projeto coletivo.

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Théo e Verônica juntos no parque Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro.

Por Maria Magdalena Arréllaga e Verônica da Costa.