Sobre o projeto

Quando a pandemia da Covid-19 começou no Brasil, em meados de março, a pergunta, logo de cara, foi: como tudo isso vai bater em um dos países mais desiguais do mundo? Parecia óbvio que essa desigualdade econômica e social ia aumentar, ainda mais diante de lideranças que não deram importância ao isolamento social, mesmo diante da letalidade do vírus. Um dos primeiros casos de morte por Covid-19 que saiu na imprensa foi o de uma trabalhadora doméstica, contaminada por ter ido trabalhar na casa de patrões infectados, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que na internet circulavam mensagens de apelo pedindo para as pessoas ficarem em casa. Com o fechamento dos comércios e serviços e com o desemprego em alta, o medo da fome e da volta da pobreza extrema ficaram evidentes e, em um cenário já tão pavoroso para todo mundo, com tanta insegurança e incerteza, outra questão veio à tona. Como estão as milhares de mães solo brasileiras? Como lidar com o risco de se infectar com um vírus que pode ser letal, com a falta de emprego, home office, filhos em casa sem creche ou escola, além de toda sobrecarga mental?

 

No Brasil de 2015 eram cerca de 11 milhões de mães solo segundo o IBGE - hoje, o número pode ser ainda maior. 50 milhões de mulheres são chefes de família e, portanto, responsáveis pelo sustento da casa. Quando parar não é uma opção, como dar conta? Em abril, o governo federal autorizou o auxílio emergencial de R$600 para profissionais autônomos e desempregados. Mulheres chefes de família estão aptas a ganhar cota dupla, de R$.1200, mas na prática, muitas delas não receberam ajuda nenhuma, como Carla, em São Luís ou Natália, em Osasco. Maria Francisca, agricultora e assentada em Brazlândia-DF, viveu durante os primeiros meses de pandemia com renda de até R$ 100,00 por mês, tendo que partilhar a subsistência com seus dois filhos. 

 

Como fica a saúde mental em uma cidade que registra mais de 100 mil casos, 13 mil mortos e mantém seus bares abertos? Sofia e sua filha Céu passaram os últimos 10 meses isoladas em um apartamento no Rio de Janeiro, já que a rede de apoio principal era a mãe dela, grupo de risco. Gabriela, mãe de dois e também vivendo com a mãe em Curitiba, fez um ensaio para mostrar seu cotidiano pelos próprios olhos - e o de seus filhos. Já Luisa e o filho Aruan contaram com o contato com a natureza da área rural onde moram, no interior do estado de SP, para darem conta do bem estar.

 

Nós, enquanto fotógrafas, nos juntamos para contar algumas dessas histórias, conectando todas as regiões do nosso país (link pra página com o mapa), que é gigante e com realidades tão plurais. Andressa Zumpano em Brasília, Ingrid Barros em São Luís, MA, Isabella Lanave em Curitiba, Maria Magdalena Arréllaga no Rio de Janeiro, Patrícia Monteiro em São Paulo, Shai Andrade em Arembepe, BA e Tayná Satere em Barreirinha, AM.

 

Desejamos que através das histórias de Carla Bianca, Isis Abena, Luisa Brandão, Luísa Molina, Maria Francisca, Marilúcia Sateré, Natália Cardoso, Paula Dias, Rafaela Machado, Sofia Benjamin, Stela Prado, Stephanie Borges, Gabriela Grigolom e Verônica Costa, possamos trazer outras reflexões sobre maternidade, com a consciência de que nunca daremos conta da complexidade e diversidade que abarca nosso país.

  • Instagram