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Quando a pandemia do novo coronavírus chegou no Brasil, Natália tinha recém completado 20 anos. No dia 1º de janeiro de 2020, sua filha, Pietra, tinha nascido depois de uma gravidez tranquila e logo de cara Natália começou a pagar pela festa de 1 ano dela, um sonho. O plano para a volta da licença-maternidade era trabalhar 12x36, em dias alternados, intercalando com o trabalho da mãe, no mesmo esquema. Os chefes, no entanto, a colocaram em 6x1, folgando apenas aos sábados. Sem ter com quem deixar a filha e sem condições de pagar pela creche do bairro, que custava R$700, Natália não viu outra saída a não ser se demitir. Com tudo ainda incerto em relação à Covid-19, ela não esperava que todos os funcionários fossem demitidos pouco tempo depois. E nem que os próximos meses seriam tão difíceis.

Quando o governo federal liberou o auxílio emergencial para profissionais autônomos e desempregados, Natália se deparou com um problema burocrático: no portal do governo constava que ela ainda estava registrada e não havia possibilidade de pegar os R$1.200 pagos às mulheres chefes de família. Ao longo dos meses, ela foi sobrevivendo como podia, com a ajuda da mãe, o recebimento de cestas de alimentos e, quando acontecia, a compra de leite e fraldas pelo pai da filha dela, com quem se relaciona há 7 anos. 

Natália e Pietra. "Eu era a grávida mais feliz do mundo. Se deixasse, com a Pietra, eu fazia ultrassom todo mês."
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1º de julho de 2020

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Natália e a irmã Rebeca, 16, fazendo tarefas online da escola. Natália terminou o 3º colegial durante a pandemia, faltando só uma prova final pra pegar o diploma.

"Quando eu trabalhava, todo meu salário era pra comprar coisas pra ela."

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Todo dia 1º, Natália tira fotos temáticas da filha, ansiosa pela chegada da festa de 1 ano. O tema vai ser da Tiana, a primeira princesa negra da Disney.
 
(galeria)
A rede de apoio familiar é fundamental para muitas mães solo. Pietra com a avó e os tios ao longo dos meses.         (galeria)

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No início de agosto, enquanto ela já tomava anticoncepcional, Natália começou sentir dor.
Achava que eram complicações da cesária.
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12 de agosto de 2020

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1º de setembro de 2020

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Natália, na fila da lotéria, tentando resgatar o FGTS do trabalho, que deixou no início da pandemia. Por conta do sistema, ela não recebeu o auxílio emergencial e nem conseguiu o Bolsa Família. "Parece que eu nunca tenho direito a nada", ela disse saindo da lotérica. O atendente disse que ela precisava fazer uma carteirinha que ela não tinha.

Com as eleições municipais, Natália conseguiu um emprego temporário na campanha de reeleição do prefeito de Osasco.

“É difícil né, imagina uma grávida de 5 meses andando debaixo de sol, subida, andando andando andando, tá sendo muito difícil nisso, mas se fosse escolher eu tinha escolhido ficar. Porque eu preferia tá trabalhando do que tá dentro de casa com a mente desocupada."

A dificuldade de ter com quem deixar a filha - além do dinheiro pra isso, continua

1º de outubro de 2020
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"Vejo a rua agitada, todos aparentemente saindo, fazendo algo do agrado onde eu me encontro presa na minha própria casa com a minha filha. Quando você vira mãe muita amigas somem"
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"A maioria dos homens acha que não tem obrigação de ajudar a mãe pelo fato de os dois não estarem juntos. É muita ignorância. Não custa nada ele vir, dar um banho, passar uma roupa dela, preparar e dar a comida. Ele estaria criando a filha dele, não me namorando”

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12 de outubro de 2020
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Natália tirando foto da Pietra com seu carrinho de brinquedo, presente de Dia das Crianças comprado com o dinheiro do último trabalho. 

"A gente nunca teve (presente de dia das crianças). Meu pai era da igreja, ele nunca deixava a gente pegar brinde na rua. Pra gente era só um feriado normal.

Minha filha não. Minha filha vai achar que é um grande dia na vida dela."

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"Rotina de mãe não acaba. você dorme e acorda fazendo sempre as mesmas coisas, se arrumar vai por último, só quando vai pra algum lugar importante mesmo"
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Se arrumando para uma festa de aniversário, depois de alguns meses praticamente sem sair.
11 de novembro de 2020
“Eu creio que quando eu começar a trabalhar tudo vai mudar. Meus filhos vão estar na creche aí eu vou começando a organizar a minha vida. Antes disso, vou ter que só esperar mesmo.”
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Esperando o exame de ultrassom sair. Foi nesse dia ela descobriu que teria outra menina. 
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por Patrícia Monteiro.