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Luisa, 27 e Aruan, 5.

Luisa engravidou aos 21 de um relacionamento que já tinha acabado. Quando ela contou ao pai, ele pediu que ela interrompesse a gravidez e a chamou de "anti-feminista" quando ela se recusou a fazê-lo. Hoje, eles vivem a 200 km de distância e ele raramente vê ou liga para o filho, pagando uma pensão de R$250 reais por mês. 

Naturóloga, Luisa trabalha como autônoma atendendo pacientes, de maneira online e presencial, fazendo aromaterapia e vendendo frutas desidratadas que colhe com o filho na zona rural de Botucatu, onde moram. Ela, além disso, também cuida de uma pousada. 

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"No início da pandemia eu fiquei sem trabalho nenhum nenhum. Pra mim era impossível fazer uma sessão de naturologia online. Com o tempo eu participei de alguns editais, gravei um curso de medicina ayurvédica, comecei a fazer consulta online, a pousada voltou a funcionar.... Então eu consigo hoje zerar o meu aluguel com o trabalho da pousada. "
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Com a pandemia, Luisa começou um esquema de rodízio de famílias com outras duas mães solo  - assim, cada dia uma mãe cuida das crianças, permitindo que as outras tenham tempo livre para trabalhar.
"Desde que começou a pandemia, eu e ele fizemos uma horta gigantesca em casa. 90% do que a gente come vem da horta. Tem desde tomate, milho, abóbora, morango, cheirinhos verdes todos, brócolis. A gente colheu mais de 300 bambus, construiu uma cerca. Acredito nesse lugar de resistência, também"
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Luisa levando Aru e as gêmeas, Luna e Aurora, para passear perto de casa, no chamado "bosque dos gnomos", na Demetria, em Botucatu. (foto 1)​
Conversando com a Bruna, mãe das gêmeas. (foto 2)
Aru brincando com os amigos na casa da Bia, terceira mãe que participa do rodízio. (foto 3)
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Aru e a avó, Isabel, brincando de ioga enquanto Luisa trabalha na cidade.
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"Eu acredito que a primeira infância, principalmente, deve ser vivida no mundo real e não no mundo virtual, mas quando a gente tá em homeoffice e só tem você e uma criança em casa muitas vezes o desenho é importante para eu poder fazer um atendimento online, uma reunião."
 
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"Um dos maiores desafios de crianças uma criança sozinha é ser a única referência. Eu nunca sei se o que eu tô fazendo tá certo mesmo, eu não tenho com quem conversar sobre isso. Se eu deveria dar colo nesse momento ou se eu deveria dar uma bronca. É uma responsabilidade muito grande."
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Luisa e o namorado, Fabio, tentando ter uma D.R na última noite dele em Botucatu. Durante a pandemia, ele se mudou para Minas por conta de um trabalho. 
“O peso das relações quando a gente tem um filho muda. Não é só o meu parceiro ou o que eu sinto por ele, existe o fator de como esse cara se relaciona com o meu filho. Isso muda tudo.”
Aru estuda numa escola de pedagogia Waldorf, na Demetria que, apesar de fechada, manteve atividades durante a pandemia.
"Uma vez por mês a gente recebe visita das professoras, já recebemos pão feito por elas, material pra fazer aquarela. Sinto que isso é muito importante pra ele se conectar com a escola e principalmente pra mim como mãe é um respiro de coisas que eu posso apresentar pra ele também”
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"Acho que o nosso segredo de saúde mental é estar na natureza, mesmo nos momentos mais difíceis”. 
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"A maternidade ensina a gente a não perder um segundo do tempo."
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Luisa descansando enquanto trabalha, depois de colocar o filho pra dormir.
"É uma relação muito intensa. Eu sinto falta de um espaço pra gente sentir saudade um do outro.
É bastante puxado e é bastante gostoso ao mesmo tempo, tudo junto."
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por Patrícia Monteiro