"Saudações, me chamo Isis Abena, mulher preta diaspórica, mãe de Aina Emaye, malunguinha preciosa que me acompanha nessa jornada. Somos nascidas na cidade de Salvador/Ba.

Ainá é uma criança doce, inteligente, feliz, paciente, espiritual e sagrada. A nossa família é composta por nós duas, Clarice, nossa gatinha e as plantas. Seguimos, eu e ela, na construção e busca da comunidade que nos acolherá nessa diáspora para minimizar as sequelas do colonialismo e fragmentação das famílias negras..

Além de mãe, sou terapeuta dos aromas, criadora de perfumes botânicos na plataforma de cura Hawa. Hoje, uma empresa familiar, minha e da Ainá. Também pesquiso e íntegro tecnologias de cura para o corpo-mulher- preta e compartilho minha jornada pessoal de descolonização na @hawa_isisabena."

No início da pandemia, as duas ainda moravam em um apartamento, mas o fato de estarem confinadas  em um m², passou a afetar o humor de Ainá e a produtividade de Isis. Isso mudou no meio do ano, quando conseguiram se mudar para uma vila onde Ainá tem espaço, liberdade, amigas e um maior contato com a natureza. Lá as famílias se revezam no cuidado com as crianças, e sempre colaboram uns com os outros, deixando a rotina mais leve e  permitindo o exercício de um bem viver em comunidade. 

O Pai da Ainá esteve presente durante a gestação e no seu primeiro ano, após isso alguns conflitos pessoais o fizeram voltar para sua cidade natal e diminuir o contato com a filha. Ela sente saudades do pai, da presença e vivência com o masculino, e Isis tem buscado entender a melhor forma de amenizar essa falta.

Querida mãe
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Por Shai Andrade, com fotografias de arquivo e áudio cedidos por Isis Abena.

Acupe de Brotas, Salvador, Bahia, 2020.

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